O príncipe Nicolau (1830?-1860) era um parente mais novo do príncipe Aleixo, possivelmente seu sobrinho, e era filho do rei Henrique II do Congo, que governou entre 1842 e 1857. Nicolau, tal como Aleixo, era um assimilado com alguma instrução portuguesa. Tinha sido educado em Lisboa e em Luanda a expensas do governo português durante os anos de 1845 a 1850. Destinado à vida eclesiástica, Nicolau optou antes por entrar ao serviço da administração colonial portuguesa em Luanda, onde foi sucessivamente promovido e onde encontrou vários estrangeiros que se mostraram obviamente interessados na sua pessoa. O príncipe Nicolau é uma figura importante na história de Angola, pois foi provavelmente o primeiro africano com algum estatuto a recorrer a técnicas ocidentais para exprimir sentimentos nacionalistas. Não tardou a sentir-se insatisfeito com a sua posição na sociedade europeia, mas não podia regressar à sua terra natal, uma vez que já se tinha ocidentalizado e também porque, segundo as regras congolesas, não era elegível para a sucessão do reino, visto ser filho e não sobrinho do rei. No entanto, Nicolau aspirava a uma posição mais alta na vida.
A parte mais interessante e porventura mais importante da sua carta de protesto de 1859 era a sua afirmação de que o Marquês de Catende, seu primo direito, tinha sido enganado por Portugal ao assinar o documento e que isto era "uma infracção da independência nacional, aliás reconhecida pela história e pelo próprio governo de sua Majestade fiel e por todos os seus representantes nesta Província".O governador-geral de Angola soube do protesto de Nicolau de Nicolau em Fevereiro de 1860 e tentou transferi-lo para um emprego na administração colonial em Ambriz, a norte de Luanda, para a remota cidade de Moçâmedes (Namibe), no sul. Os cônsules brasileiro e britânico envolveram-se no caso, tendo ajudado Nicolau a preparar a sua fuga de Angola com destino ao Brasil, para prosseguir os estudos. O facto de ter planeado pagar a sua viagem a futuros estudos no Brasil mediante a venda de vários escravos de família a comerciantes europeus na região de Ambriz diz bem do carácter ambíguo do seu plano nacionalista e do seu protesto. Estaria o cônsul brasileiro a planear fazer uma aliança com o Reino do Congo? Terá alguém ajudado Nicolau a escrever a sua famosa carta de protesto, publicada em Lisboa? As respostas a estas perguntas continuam a ser algo misteriosas, mesmo para os historiadores angolanos. A história de Nicolau terminou de um modo trágico, pois, ao tentar embarcar num navio britânico em Quissembo, a norte de Ambriz, foi morto por um ajuntamento de africanos que o consideravam um farsante pró-europeu, um traidor ocidentalizado à independência tradicional dos africanos a norte de Luanda.Por: Pedro Jose Facebook:Grupo Kongo
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